Você não é todo mundo. Ainda bem.

todomundo1

Quando eu era pequeno, não foram poucas as vezes em que minha mãe me disse “você não é todo mundo”, sempre com a intenção de me chamar a atenção para algo que continuava sendo errado mesmo que uma grande maioria estivesse fazendo. Nessas últimas semanas de “isolamento social”, tenho percebido que muitas pessoas não tiveram uma mãe igual a minha, ao ver que uma grande parte continua frequentando barzinhos, indo às festas e comemorando com os amigos, mesmo que essas práticas não sejam recomendadas por conta do estado atual que estamos vivendo.

Desde que começamos 2020, entramos em um ano de grandes incertezas. Embora nosso país tenha demorado mais que os outros para reagir contra a disseminação da Covid-19, tivemos aí uma movimentação bastante considerável logo após as confirmações das primeiras internações e mortes. Escolas e estabelecimentos comerciais foram fechados, pessoas começaram a se isolar em suas casas, e até aí tudo parecia estar indo bem e parcialmente controlado. O que não contávamos era com o tempo que esta situação duraria. Mesmo com uma quantidade grande de propagandas sobre prevenção sendo vinculadas nas maiores emissoras do Brasil, campanhas de artistas mundiais, com shows e lives clamando pela permanência das pessoas em suas casas, não demorou muito para que o povo ignorasse toda a urgência do momento e substituísse o pensamento coletivo pela “necessidade” individual.

Aparentemente, pelo que se vê nas redes sociais e nas reportagens feitas por jornalistas incrédulos do que estão presenciando, o vírus deve ter sumido, uma vez que o descaso das pessoas, ignorando o perigo atual enfrentado, permite que elas frequentem bares e festas clandestinas por todo Brasil. É simplesmente incompreensível como a solidariedade e a empatia conseguem ser facilmente trocadas pelo desejo efêmero de estar em uma festa, mesmo que estejamos passando, literalmente, por uma guerra contra algo invisível, porém altamente mortal.

Nessas horas é que me pergunto, quando o ser humano se comportará de maneira adequada? Preocupando-se com o próximo e pensando no bem do coletivo? A verdade é que olhar para o outro exige esforço e abdicação de nossos próprios desejos e crenças, deixando de lado o egoísmo e as necessidades pessoais, e nestes quesitos, assim como com a Covid-19, é bem possível que o ser humano ainda não esteja nada preparado.

Gustavo S. Rodrigues Professor de Língua Inglesa do Colégio Dom Feliciano, Gravataí - RS

Gustavo S. Rodrigues
Professor de Língua Inglesa do Colégio Dom Feliciano, Gravataí – RS

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